Comportamento do consumidor no e-commerce e eventos culturais

Durante o segundo tempo da partida entre Brasil e Bélgica na Copa de 2018, as vendas do e-commerce brasileiro caíram em 28%, você sabe o por quê? Não é nada relacionado a querer ou não comprar, mas a atenção de todo mundo estava em outro lugar.

Esse dado foi levantado pela Konduto a partir de 22 milhões de pedidos, e ele revela que o comportamento do consumidor é inseparável do contexto em que ele está inserido. Eventos coletivos e referências regionais influenciam o que as pessoas desejam, quando e por onde vão comprar.

O e-commerce registra cada busca que ganha tráfego de forma inesperada, cada pico que não coincide com uma promoção ativa é sinal de que algo está acontecendo fora da plataforma. E, para criar campanhas mais relevantes, marcas precisam entender esses sinais.

Venha entender como movimentos culturais e emoções coletivas moldam as decisões de compra no ambiente digital e como transformar esse entendimento em estratégia.

Como emoções coletivas mudam o comportamento de compra online

Mesmo que a parcela racional de uma compra exista, diversas pesquisas sobre comportamento do consumidor digital mostram que emoções positivas, como felicidade ou confiança, aumentam significativamente a intenção de compra online.

Por isso que determinados períodos geram resultados tão diferentes para marcas que vendem os mesmos produtos. Quando um grupo social compartilha um estado emocional, a predisposição para eles consumirem a mesma coisa muda.

Esse fenômeno é triplicado com o ambiente social, porque, diferente do varejo físico, o e-commerce demonstra essas mudanças de comportamento quase que instantaneamente. 

Euforia, insegurança e nostalgia: como cada emoção afeta a compra

Quando existe um sentimento coletivo predominante, o comportamento de compra costuma seguir padrões previsíveis. 

A euforia, por exemplo, ela vai aumentar comprar impulsivas, já a insegurança faz com que o consumidor busque coisas de necessidade imediata. A nostalgia, por sua vez, desperta a memória afetiva e a vontade de referências familiares.

Podemos ilustrar esse processo com alguns movimentos culturais entre os consumidores mais jovens. Existe algo chamado “Comfort Nostalgia”, uma tendência identificada pela HAPU, que mostra o crescimento do interesse por referências dos anos 1990 e 2000 como resposta à velocidade das transformações atuais. 

Temos também alguns comportamentos ligados ao famoso FOMO (medo de ficar de fora), influenciando desde escolhas de entretenimento até hábitos de compra. Um consumidor muda a mente do outro facilmente.

Outro exemplo é esse movimento de Micro Conquistas, muitas pessoas passaram a valorizar pequenas vitórias, o que abre espaço para produtos e experiências associados a recompensa, bem-estar e celebração pessoal.

Ou seja, o resumo disso tudo é que esses sentimentos são raramente individuais, eles acontecem coletivamente, ganhando força.

Efeito das emoções
Euforia
Euforia
Insegurança
Insegurança
Nostalgia
Nostalgia
Contágio social
Contágio social
Emoção
Euforia coletiva
Sentimento compartilhado depois de uma grande conquista
Comportamento
Compra por impulso
As decisões são feitas com pouca análise racional.
Tipo de compra
Itens comemorativos
Camisetas, produtos temáticos, experiências associadas ao evento
Veja como cada emoção muda o caminho de compra

Como grandes eventos disputam a atenção do consumidor

Além das emoções, outro recurso disputado o tempo todo é a atenção, elas andam juntas. 

Empresas que insistem em disputar atenção nos horários menos favoráveis tendem a obter resultados inferiores. Já marcas que entendem como o público redistribui seu foco conseguem adaptar campanhas e investimentos de mídia com muito mais eficiência.

Ter essa ideia de para onde a atenção está migrando ajuda a compreender como o consumidor está se comportando naquele instante.

O que grandes eventos revelam sobre a intenção de compra

Eventos de grande alcance tornam visíveis interesses que muitas vezes já existiam, mas ainda não apareciam de forma tão evidente nos dados.

Dados sobre intenção de compra dos brasileiros durante a Copa do Mundo 2026

Copa do Mundo 2026, intenção de compra dos brasileiros
91%
pretendem realizar alguma compra motivada pelo evento
↑ oportunidade direta para o e-commerce
73%
afirmam que devem ampliar seus gastos digitais durante a Copa
↑ crescimento do canal online

Como o senso de pertencimento influencia decisões de compra online

Muitas compras realizadas durante eventos possuem um componente simbólico. Ao adquirir determinado produto, o consumidor, em muitos casos, está participando de uma conversa ou de uma experiência compartilhada.

A emoção gerada pelo esporte é o principal fator de decisão para quem participa ou acompanha grandes competições, elementos secundários, como entretenimento adicional ou serviços complementares, possuem influência muito menor.

O mesmo raciocínio pode ser observado no ambiente digital, camisetas temáticas, produtos comemorativos e diversas outras categorias costumam ganhar força porque representam participação naquele momento cultural.

Como comunidades e nichos criam oportunidades de venda

Além dos grandes eventos, muitos dos movimentos mais relevantes para o e-commerce surgem dentro de comunidades menores. Hoje, as tendências não dependem mais de alcance nacional para gerar impacto comercial. Em diversos casos, grupos específicos conseguem impulsionar comportamentos de compra altamente previsíveis.

Podemos citar o fenômeno do “morango do amor” que movimentou milhões de pesquisas relacionadas a ingredientes e produtos conectados à tendência. Esses movimentos refletem o crescimento da chamada Cultura de Nicho, tendência que aponta para a fragmentação de interesses em microcomunidades cada vez mais específicas.

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Monitorar comunidades, fandoms e grupos de interesse vai te fazer identificar sinais de intenção de compra antes mesmo deles se transformarem em buscas massivas

Marketing regional: por que a cultura local gera mais resultado?

No Brasil, essa influência tem dimensão continental e ignorar isso só faz parecer que a marca está tratando públicos diferentes como se fossem um só. 

Enquanto algumas tendências ganham repercussão nacional, outras permanecem concentradas em regiões específicas, comunidades locais ou grupos culturais determinados.

Empresas que enxergam essas particularidades criam comunicações mais relevantes e evitam campanhas genéricas que falam com todo mundo, mas não se conectam profundamente com ninguém.

Por que tendências regionais variam de uma região para outra

Nem toda tendência relevante alcança todas as regiões com a mesma intensidade. 

Recentemente aconteceu um fenômeno envolvendo produtos relacionados à capivara. Após uma forte viralização cultural, algumas operações de e-commerce registraram crescimento superior a 2.000% na quantidade de itens cadastrados utilizando o termo.

O mais interessante não foi apenas o aumento da demanda, mas a velocidade com que determinados públicos aderiram à tendência. Quem percebeu isso cedo, teve vantagem contra a concorrência.

Como adaptar a comunicação por região mantendo a identidade da marca

O objetivo de regionalizar é ajustar referências, linguagem, exemplos e contextos para aumentar a relevância da comunicação sem comprometer a identidade da empresa.

Atualmente, ferramentas de automação e CRM permitem segmentar campanhas por localização, comportamento e histórico de interação. Isso possibilita adaptar mensagens de forma inteligente sem multiplicar operações ou criar estruturas paralelas.

Além dos ganhos de performance, consumidores tendem a responder melhor quando percebem que a marca compreende o ambiente cultural em que estão inseridos. Esse reconhecimento fortalece a percepção de proximidade e aumenta a relevância da mensagem.

Relevância ou desconto: o que converte mais no e-commerce?

Até aqui, vimos que cultura, emoções coletivas e contextos regionais influenciam o comportamento do consumidor online. Então… como isso muda a estratégia de vendas?

68% dos brasileiros consideram as promoções um fator relevante para comprar online,  e isso não muda. O desconto costuma funcionar quando existe uma intenção de compra já formada. A relevância contextual, por outro lado, desperta interesse mesmo quando o consumidor ainda não estava pensando em comprar.

Promoções continuam sendo ferramentas úteis em momentos específicos, mas toda estratégia não pode depender exclusivamente de redução de preço para gerar resultado.

Cupons tendem a apresentar melhor desempenho em situações específicas, como a recuperação de clientes inativos, a primeira compra de novos visitantes ou campanhas com prazo claramente definido. Fora desses contextos, o desconto frequente pode reduzir a margem sem necessariamente fortalecer a fidelização.

Enquanto isso, iniciativas que aumentam o valor percebido geram efeitos mais duradouros, benefícios exclusivos e experiências diferenciadas são exemplos de mecanismos que incentivam compras sem depender de redução do preço.

Em conclusão, o preço ajuda a fechar uma decisão e a relevância ajuda a criar essa decisão.

Como criar conexão emocional com o cliente além do preço

Quando o consumidor consegue imaginar uma experiência positiva após a compra, sua predisposição para converter aumenta. Da mesma forma, sentimentos associados a arrependimento ou risco tendem a frear decisões.

Quando uma marca consegue associar seu produto a um momento relevante da vida do consumidor, ela cria uma conexão emocional que tende a permanecer mesmo depois da compra. E experiências emocionalmente positivas costumam aumentar as chances de recompra, recomendação e construção de relacionamento.

Autenticidade nas campanhas: por que a consistência gera relevância

Também vale mencionar que participar de conversas culturais não é só adaptar uma peça para um assunto popular. A marca pode até aproveitar a oportunidade de visibilidade, mas será mesmo que isso constrói relevância?

Autenticidade depende da consistência, em outras palavras, a presença da marca em determinado tema precisa fazer sentido dentro da sua trajetória, dos seus posicionamentos e das suas ações anteriores.

Um exemplo conhecido foi o da Skol durante o Carnaval de 2017: após anos de campanhas com um apelo bem específico, a marca tentou uma virada de comunicação. A reação foi de desconfiança, o público lembrava do histórico.

Já a Natura, que trabalha discurso de diversidade e pertencimento de forma contínua, consegue participar dessas conversas, porque a presença faz sentido dentro do que a marca já construiu. 

Em ambientes digitais, a memória coletiva funciona em tempo real! As pessoas lembram quais marcas apoiam determinadas causas de forma contínua e quais aparecem apenas durante momentos de alta exposição. Quando a presença não é consistente, o consumidor percebe a tentativa de associação artificial.

Então, estratégias de conteúdo possuem um papel relevante, manter presença consistente ao longo do tempo cria repertório para que futuras campanhas sejam percebidas como legítimas.

Ferramentas de automação também ajudam a sustentar a comunicação entre os grandes momentos culturais, mantendo o relacionamento ativo e criando histórico com diferentes segmentos de público.

Como transformar contexto cultural em estratégia de marketing

Compreender o comportamento do consumidor é apenas o primeiro passo, o desafio seguinte é transformar essas informações em decisões práticas para o e-commerce.

Quando observamos marcas que conseguem aproveitar movimentos culturais de forma consistente, três elementos costumam aparecer juntos: dados, timing e continuidade. Separadamente, cada um deles gera valor, mas os melhores resultados surgem quando os três trabalham de forma integrada.

Afinal, identificar uma tendência sem agir rapidamente limita seu potencial, da mesma forma, responder rapidamente sem compreender os dados pode gerar campanhas desconectadas da realidade do público.

Transformar contexto cultural em estratégia exige a capacidade de interpretar sinais, agir no momento adequado e manter coerência ao longo do tempo.

Checklist: sua estratégia de contexto cultural no e-commerce

Sua estratégia de contexto cultural
Monitorar comunidades e nichos
Identificar sinais de intenção antes de virarem buscas massivas
Mapear o calendário cultural da sua audiência
Eventos esportivos, datas regionais, movimentos sazonais
Segmentar campanhas por região e comportamento
Usar CRM e automação para ajustar mensagens sem escalar operação
Construir presença contínua nos temas da sua marca
Autenticidade exige consistência
Reduzir o tempo entre sinal e ativação de campanha
Fluxos automatizados que respondem ao comportamento do usuário em tempo real
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Timing no marketing: como agir no momento certo com estratégia

Tendências, memes, movimentos culturais e acontecimentos relevantes circulam pelas redes sociais muito rápido. Muitas vezes, aquilo que domina a atenção das pessoas nesta semana já perdeu força poucos dias depois.

Por isso, o timing é quase um requisito, porém, claro, a velocidade sozinha não resolve o problema.

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Quando a marca possui relação legítima com determinado tema, a participação tende a ser bem recebida, mas se a conexão não existe, a ação parece forçada independentemente da rapidez.

Outro aspecto importante envolve a estrutura, empresas que dependem de longos processos de aprovação frequentemente encontram dificuldades para aproveitar janelas culturais cada vez mais curtas. Por isso, automação e integração de processos ajudam a reduzir o tempo entre a identificação de um movimento e a ativação de uma campanha. 

Ferramentas como RD Station CRM permitem criar fluxos que respondem ao comportamento do usuário em tempo real, reduzindo a distância entre intenção e comunicação. A Ocamaz, parceira Diamond da RD Station e integrante do ecossistema TOTVS Norte, implementa essa lógica em projetos de e-commerce, se quiser entender como isso se aplica ao seu mercado, é só falar com a gente.

Pronto para transformar contexto cultural em resultado de e-commerce?

Tudo que vimos até aqui aponta para a mesma direção, o contexto sempre faz parte da decisão de compra. Ele não substitui uma boa operação ou um bom produto, porém, ajuda a tornar cada uma dessas iniciativas mais conectadas à realidade do público.

Quer entender melhor o comportamento do seu público e criar estratégias que façam sentido para o seu mercado?

O que é comportamento do consumidor no e-commerce? +
É o conjunto de hábitos, motivações, emoções e fatores que influenciam a forma como as pessoas pesquisam, avaliam e compram produtos em ambientes digitais.
O que é marketing contextual e como aplicar no e-commerce? +
Marketing contextual é a prática de adaptar campanhas, conteúdos e ofertas ao momento vivido pelo consumidor. Isso inclui fatores culturais, sociais, comportamentais e regionais que influenciam suas decisões.
Qual a diferença entre marketing cultural e marketing sazonal? +
O marketing sazonal está ligado a datas e períodos específicos do calendário. Já o marketing cultural considera movimentos sociais, comportamentos coletivos, tendências e referências que influenciam a forma como as pessoas consomem.
Como eventos culturais influenciam as decisões de compra online? +
Eles alteram atenção, interesses, emoções e prioridades. Como consequência, mudam padrões de busca, intenção de compra e comportamento de navegação dentro dos canais digitais.
Campanha sazonal precisa de desconto para funcionar? +
Não. Em muitos casos, relevância, identificação cultural e conexão emocional conseguem gerar resultados sem depender exclusivamente de promoções ou redução de preços.
Regionalização no marketing digital vale para pequenas lojas virtuais? +
Sim. Mesmo operações menores podem adaptar linguagem, campanhas e segmentações para públicos específicos, aumentando relevância e melhorando resultados.
Como identificar tendências de consumo antes que elas estourem? +
Monitorando dados de busca, comportamento de navegação, comunidades de nicho, redes sociais e sinais de crescimento em categorias específicas do mercado.
Como medir se uma campanha cultural gerou resultado real de vendas? +
Além das vendas diretas, é importante acompanhar métricas como tráfego qualificado, taxa de conversão, engajamento, crescimento de audiência, recorrência de compra e impacto sobre a percepção da marca.
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